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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Crônica de um ano novo (ou talvez velho)



acendi um cigarro. fiquei olhando pela sacada a multidão enfurecida pra ver os fogos.
também fiquei impressionado com tantas flores pra iemanjá.
também fiquei feliz porque ela recebe tantas flores nesse dia.
deve ser muito amada.

abri uma cerveja. voltei pra sacada e fiquei olhando aquelas famílias todas unidas.
olhei pra dentro do meu apartamento. todo sujo, sem ninguém.
comecei a me perguntar se eu merecia aquilo.
comecei a me questionar por que iemajá ganhava mais flores que eu.
percebi que ela era mais amada que eu.

de repente vi um casal se beijando, minutos antes do novo chegar,
também senti inveja.

de repente vi um casal brigando longe dali, e me senti um pouco
mais feliz.

acendi outro cigarro. a depressão começou ir embora quando ouvi ana paula valadão
no rádio. cantando alguma coisa relacionada a amor. me senti um pouco amado.
mesmo que pelas ondas do rádio.

abri outra cerveja. tinha um champagne ali mas fiquei indeciso. não sabia se era o momento
pra abrir e comemorar. comemorar o quê mesmo?

eu deveria escrever palavras de amor.
mas não sinto amor.
me sentir um pouco amado não me faz ser realmente amado.

eu deveria ir pro mar.
me jogar e me banhar com as águas salgadas do amor.

eu deveria comemorar com meus amigos.
me esbaldar e encontrar meus amores.

eu deveria ter feito tanto no ano passado.
já é meia noite.
meia noite e um.

os fogos começaram a estourar.
a alegria invadiu o lugar.
eu recebi um telefonema.
me alegrei.

mas pensei nas besteiras sobre amor.
nas loucuras de amor.
o ano passou e algumas mágoas ficaram.

acendi mais um cigarro.
fiquei feliz por uns instantes.

depois da loucura, voltei e deitei na minha bagunça particular.
depois da loucura, voltei pro mundo real e lembrei de você.
e em pensamento,

te desejei um ano novo.